Marketing e finanças: São Paulo na gestão de Casares

Foto: Divulgação/São Paulo FC

“Dentre os grandes, és o primeiro”, assim diz o hino do São Paulo. Porém na última década esse verso não tem feito sentido, tanto dentro, quanto fora das quatro linhas. O clube conquistou apenas dois troféus oficiais no período de 13 anos e chegou a mais de R$500 milhões em dívidas com salários atrasados, direitos de imagem, não pagamento de parcelas da compra de alguns jogadores que sequer fazem parte do elenco atual. E pior, processos como o do empresário André Cury, por falta de pagamento do clube de um empréstimo de R$13,7 milhões sob a compra do centroavante Raniel (Com os valores atualizados sob encargos financeiros atuais o valor chega a R$19 milhões).

É inegável que a antiga gestão foi parte fundamental do Titanic instaurado dentro do clube. Ainda que gestões anteriores já houvessem feito boa parte do estrago, como por exemplo, Carlos Miguel Aidar com roubos comprovados aos cofres da instituição. A gestão de Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, foi ainda mais desastrosa, com contratações fora da realidade financeira do clube. Quase resultaram o Transfer Ban da Fifa (Punição que impede que o clube faça contratações por um período determinado pela entidade) por falta de quitação de dívidas e prazos de pagamentos de parcelas estourados.

O tricolor passou por dois casos de não quitação de dívidas pelo qual perigou sofrer o Transfer Ban da Fifa. Primeiramente foi o caso Tchê Tchê junto do Dínamo Kiev, quitada pela atual diretoria com o pagamento da última parcela referente aos R$25 milhões. Já o segundo caso se trata da dívida por Kaká junto ao Orlando City quando o tricolor ainda devia R$4,5 milhões ao clube Norte-Americano pela vinda do meia ao Brasil (Dívida feita na gestão de Carlos Miguel Aidar e não resolvida nos 5 anos da gestão Leco).

A nova gestão de Júlio Casares pode ser o divisor de águas para tais problemas (Assim esperamos). Com Eduardo Toni comandando as ações de Marketing e buscando contatos para novos horizontes, o clube pode voltar a ser aclamado como ‘Soberano’ e retomar o posto de maior do Brasil. E traremos aqui três fatos fora das 4 linhas que você talvez desconheça, mas que já são fatores positivos da nova gestão na área comercial do clube, além de um pedido de torcedor e estudante do tema, que pode ser de extrema importância para o futuro da instituição.

PATROCÍNIOS

O São Paulo atualmente (Setembro 2021), possui 13 parceiros comerciais (Está negociando um 14° parceiro que deve ser anunciado nos próximos dias para as mangas da camiseta), além da fornecedora de materiais esportivos (Adidas).

Confira abaixo valores e benefícios que o clube recebe por cada patrocínio:

Adidas (Fornecedora) – R$14,8 milhões anuais (Podendo aumentar de acordo com metas atingidas).

Sportsbet.io (Patrocínio Master – Apostas online) – R$24 milhões anuais (Durante os primeiros 6 meses de contrato, o clube receberá R$15 milhões).

Roku (Streaming) – U$S1 Milhão anual (Aproximadamente R$5,2 Milhões).

Konami (Games) – R$4 milhões anuais.

Abc da construção (Materiais de construção) – Aproximadamente R$1,3 milhões anuais (R$2 Milhões por 1 ano e meio) + 1 milhão em materiais de construção + 5% do faturamento bruto do site da empresa.

Dry Company – SPFC Chip (Tecnologia) – Aproximadamente R$1,5 milhões anuais (R$2,3 Milhões por 1 ano e meio).

Gazin Colchões (Colchões) – R$2,7 milhões anuais.

Cartão de todos (Benefícios) – Valores não divulgados.

Brahma (Cervejaria) – Valores não divulgados.

Cimento Cauê (Concreto) – Valores não divulgados.

Volvo (Automotiva) – Valores não divulgados + Disponibilização de produtos da marca para funcionários e associados ao clube.

VR Collezioni (Roupas) – Valores não divulgados + Disponibilização de produtos da marca para funcionários e associados do clube.

Água Passa quatro – Valores não divulgados.

Freesept Prevent – Valores não divulgados.

Além dos patrocinadores fixos, a diretoria tricolor fechou mais dois patrocínios pontuais durante o início da gestão de Júlio Casares:

LG (Eletrônicos) – Final do campeonato Paulista – R$1 milhão para estampar a camisa do clube na partida final.

Amazon (Streaming) – 3 jogos da Libertadores – R$700 mil por jogo (Totalizando R$2,1 milhões).

Somente em 2021, o São Paulo já soma mais de R$30 milhões a receber em patrocínios, a estimativa é de que o clube receba próximo dos R$40 milhões até o final da temporada (Os valores estão sujeitos a serem renegociados e pagos de maneira parcelada), e ultrapasse os R$50 milhões em 2022. O objetivo da diretoria é alcançar a casa dos R$70 milhões em patrocínios até o último ano de mandato (2023).

Foto: Divulgação/São Paulo FC

SÓCIO TORCEDOR

Você já é sócio torcedor do clube? Não? Então vou te explicar quais os benefícios tanto para si, quanto para a instituição em se tornar um ST.

O São Paulo reformulou do zero o seu programa para sócio torcedor, o clube oferecia poucos benefícios aos sócios nas gestões anteriores e com o novo programa os benefícios aumentaram em grande escala e juntamente aos benefícios a comunicação com o torcedor também cresceu.

Durante a atual gestão o torcedor voltou a obter a oportunidade de interagir com o clube. Tornando-se membro de apresentação de jogadores, visitas ao centro de treinamento (Durante a pandemia as visitas estão suspensas) e o Morumbi Tour (A partir de sua pontuação no programa, é possível se obter a oportunidade de ir ao estádio até mesmo de maneira gratuita), descontos em ingressos de acordo com sua pontuação no programa, premiações e programas de pontos (Camisetas oficiais, cashbacks e descontos em parceiros), informações oficiais antecipadas (Escalação, parcerias e ações de Marketing). Além do Kit de sócio torcedor (Camiseta oficial, copo personalizado, boné, tricolor chip, moeda e mochila de nylon) que na antiga gestão não existia, era apenas uma carta da diretoria com o cartão para sócio (Que inclusive demorava bastante a chegar).

Te convenci a virar sócio? Caso não, posso trazer outro dado que pode ajudar: O faturamento do sócio torcedor é um dos primordiais para ajudar o clube. Atualmente o número de sócios chega a casa dos 27 mil e a estimativa é de que o clube fature R$1,2 milhões de reais/mês (Contando que todos os sócios estejam em dia com seus pagamentos) com o programa, o que geraria em 12 meses, um saldo de aproximadamente R$14,4 milhões e ajuda muito na saúde financeira da instituição (A estimativa está sujeita a aumento ou diminuição de acordo com ganhos e perdas no número de sócios).

 Foto: Divulgação/São Paulo FC.

PARCERIAS INTERNACIONAIS

O São Paulo sofreu nos últimos anos com a falta de reconhecimento, tanto dentro, quanto fora do país, as antigas gestões tinham claras dificuldades de expandir o reconhecimento do clube comercialmente e fechar parcerias internacionais. Nos últimos 10 anos, o clube não obteve nenhum patrocinador máster Internacional. A Copa Airlines, companhia aérea Panamenha que ficou no clube durante dois anos, estampou a frente do uniforme por um pequeno período durante 2016. Posteriormente o clube fechou com a Prevent Senior e a companhia aérea deixou o destaque no uniforme da instituição.

Em 9 meses da atual gestão, o clube voltou a fechar uma parceria internacional para o máster após 12 anos, em 2008 o clube era patrocinado pela LG, empresa Sul-Coreana no ramo de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, na época inclusive Eduardo Toni, atual diretor de Marketing do clube, era diretor de Marketing da LG. Agora o clube é patrocinado pela Sportsbet, empresa registrada internacionalmente em Curaçao (Por se tratar de uma casa de apostas, muitas legislações não permitem o registro, já Curaçao permite que operações de apostas sejam feitas livremente no país). Além da parceria com a Sportsbet, o clube já havia fechado dois patrocínios pontuais com LG e Amazon, ambas empresas internacionais, para estamparem a posição de patrocínio máster da camisa do clube durante partidas importantes.

Fora os patrocínios internacionais, o clube também resolveu expandir o seu mercado buscando novas parcerias no Oriente Médio, Júlio Casares e seus comandados anunciaram a parceria com a Câmara Árabe para aproximar a instituição de 22 países participantes da Liga Árabe de Futebol, em busca de parcerias e de maior profissionalização do clube a nível internacional.

Foto: Divulgação/Ahmad Aljariri via Instagram

CLUBE EMPRESA (PEDIDO DO TORCEDOR)

Para finalizar o texto, vai aí um pedido de torcedor, durante todos os fatos citados acima, diversos elogios foram distribuídos a gestão de Júlio Casares. Afinal de fato é possível notar grandes evoluções em relação a gestões anteriores. Mas o que não podemos deixar de pedir é a pauta de discussão do São Paulo FC S.A (Sociedade Anônima). Esse modelo que já é adotado em grande parte do mundo, principalmente na Europa, necessita ser estudado para implantação no clube.

O Senado votou e aprovou no início do último mês (agosto/2021) a permissão para que os clubes se tornem empresas e a partir desse cenário os clubes do país já podem regulamentar essa mudança. Com a mudança, os clubes da SAF (Sociedade anônima do Futebol) poderiam solicitar negociações de dívidas por meio de poder judiciário, recuperação judicial e conseguir recursos financeiros por meio de investidores, ações ou debêntures.

Para exemplificar, utilizarei dois clubes ingleses, Liverpool e Manchester City. O primeiro teve boa parte de suas ações compradas pela FSG (Fenway Sports Group) que é quem faz os principais investimentos e toma as decisões gerais pelo clube. Além da FSG, o Liverpool possui micro investidores, como por exemplo o atleta LeBron James que possui 2% das ações do clube, ações que estão avaliadas em £4,7 milhões, cerca de R$34,5 milhões. Já no caso do Manchester City, o clube é administrado pelo CFG (City Football Group) que comprou 100% dos direitos do clube em 2008 e em 2014 fundou a empresa que atualmente é dona de 11 clubes por todo o mundo.

O clube empresa se faz necessário para que o futebol evolua e modelos de gestões cada vez mais profissionais e assertivos sejam utilizados. Não à toa vemos atualmente Red Bull Bragantino e Cuiabá com gestões pouco questionáveis. Clubes que passam cada vez mais a tornarem-se modelos de administração, o que reflete e muito no desempenho dentro das 4 linhas. O clube estando bem financeiramente, os salários permanecem em dia e o conflito com jogadores e funcionários diminuem, aumentando o bom ambiente dentro da instituição.

O fato é que o São Paulo parece retomar os caminhos de glória, a área Comercial, de Marketing e de Comunicação fazem um belo trabalho. Devemos reconhecer e parabenizar todos os responsáveis por isso.

2 thoughts on “Marketing e finanças: São Paulo na gestão de Casares

  • 15 de setembro de 2021 em 11:02
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    O SPFC está ficando cada vez mais atras dos clubes brasileiro, ta caminhando para o abismo, comemora receber 60 milhões anuais, enquanto flamengo, corinthians, palmeiras e atl. mineiro chegam a 100 milhoes. sao paulo é o 3 time com mais torcida no país, ta caminhando pra ser a 4° logo logo. por enquanto é o maior clube, mas tudo indica que irá perder esse posto. se nao mudarem, vamos ficar cada vez mais para atras, e o posto de nunca rebaixado, vai mudar.

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    • 15 de setembro de 2021 em 12:44
      Permalink

      Concordo plenamente Daniel, a questão é que a gestão Leco deixou um rombo gigante no clube, então devemos comemorar sim os ganhos de R$60 milhões que a atual gestão busca! Mas não devemos deixar de cobrar, afinal não deve ocorrer acomodação nesse processo, é apenas o inicio de um trabalho que aparenta e promete ser bem promissor!

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