Dossiê Cotia: Como é viver, treinar e jogar num dos melhores CTs do Brasil

Vista aérea do CFA (Foto: Reprodução / saopaulofc.net)

Considerado por Jurgen Klinsmann, então técnico da seleção estadunidense de futebol como “melhor que o do Bayern de Munique”, o Centro de Formação de Atletas Presidente Laudo Natel é considerado por muitos o melhor centro de formação de atletas do Brasil, além de ser referência internacional.

O que é o CFA?

Inaugurado em 2005 pelo então presidente Marcelo Portugal Gouvêa – nome que mais tarde seria colocado em um estádio no local – o CFA está localizado num terreno de 220mil m², na cidade de Cotia (daí o famoso nome) na Região Metropolitana de São Paulo. Com uma estrutura impressionante, possui 7 campos oficiais, 4 campos sociais, 1 quadra poliesportiva 1 campo de areia; 12 vestiários, 2 piscinas sendo uma semiolímpica, quiosques de lazer, salas de aula, consultórios médicos e odontológicos, alojamentos para mais de 250 hóspedes e um REFFIS: núcleo de reabilitação esportiva fisioterapêutica e fisiológica, internacionalmente reconhecido.

Além de um estádio com capacidade para 1500 pessoas, inaugurado em 2011, que recebe os jogos das categorias de base e do futebol feminino. Diversas seleções de futebol já usufruíram da estrutura do CFA, dentre elas a colombiana e a boliviana, além de ter sido visitada pela da Espanha na Copa de 2014.

Arquibancadas do estádio Presidente Marcelo Portugal Gouvêa (Foto: Reprodução / saopaulofc.net)
A rotina no CFA

Alguns atletas que moram ou já moraram no CFA contaram, em entrevista exclusiva, como é a rotina e a vida em Cotia. Yuri Keven, do sub-15, falou sobre o dia-a-dia, em que os garotos treinam na parte da manhã e no período da tarde, vão para a escola. Disse também que a parte física dos treinamentos é a parte favorita da maioria dos atletas, e que convivem também com os jogadores de outras categorias. “O CT é uma coisa muito importante para mim e como para todos os outros atletas que sonham em um dia jogar no SPFC, lá é minha segunda casa, lá me sinto feliz por ter essa oportunidade de vestir esse manto e poder jogar nesse grande clube que é o SPFC” finalizou.

Guilherme Matheus, do sub-20, contou que frequentam a academia na parte da tarde, já que não estudam mais, além da “preparação forte, contendo bastante amistosos para pegar ritmo de jogo além do físico” parte essencial visto que, atualmente, o sub-20 disputa 3 campeonatos simultaneamente. Sobre a convivência, falou: “sempre foi muito boa, geralmente são garotos que já jogam junto a muito tempo, e quando chega alguém novo todo mundo acolhe muito bem”. E para descrever a estrutura do CFA em uma só palavra, ele foi direto: “Estrutura soberana”.

Já Igor dos Anjos, do sub-14, descreve o CFA como “Extraordinário”, “porque lá eles proporcionam tudo para os atletas se sentirem bem, em casa e com condições de obter sucesso como pessoa e para o clube.” completa. Igor também elogia a estrutura “Desde as instalações físicas, até a alimentação, treinamentos, escola, acompanhamento pedagógico, social, saúde e fisioterapia.” Além de elogiar os funcionários: “o cuidado dos funcionários com a gente também é um diferencial.” Sobre a convivência com os atletas de sua e outras categorias, Igor pontua: “Converso e convivo com todos.” E conta também que, antes da pandemia, assistiam os jogos das outras categorias que acontecem em Cotia.

(Foto: Reprodução / saopaulofc.net)
E pra quem já se formou?

Cássio Junior, volante que ficou por 10 anos na base do São Paulo (do sub-10 ao sub-23) e foi campeão da Supercopa e da Copa do Brasil sub-20, do Campeonato Brasileiro de Aspirantes e da Copa São Paulo de Futebol Junior, e agora defende o Leganés, da Espanha, falou sobre seus tempos de Cotia com carinho e nostalgia: “É muito difícil expressar certas coisas, pois você só sabe se viver… Minha adolescência de descobertas, onde aprendi a comer, onde criei amigos e laços até hoje. O CT foi minha escola mais divertida do mundo, onde eu me sentia em casa, mas já estava trabalhando”.

Sobre o campeonato que mais o marcou, cita a Copa Nike de 2015, pois ele foi o capitão da equipe que contava com Igor Gomes, Augusto, que atualmente está no Real Madrid, Emerson Royal, que atua no Betis, mas pertence ao Barcelona, Tuta, que defende o Frankfurt, “uma geração só de craques” como o próprio Cássio aponta. “Pra mim aquilo marcou pois eu sempre fui um jogador de futsal, não tinha muitas expectativas com o campo, mas logo me deparei que poderia ser um grande jogador. Isso marca muito pois você começa a ter um pouco mais de confiança em si mesmo numa época tão perturbadora e delicada que é o sub-15”.

Sobre os profissionais do CFA, Cássio falou que “foram meus pais, que amo e considero pro resto da vida. Todas as pessoas que estão ali: cozinheiras, jardineiro, fisios, nutricionistas, diretores, treinadores, roupeiros e massagistas; seguranças e psicólogos; os atletas, todos foram meus pais e uma escola para mim”.

Equipe campeã da Copa do Brasil sub-20, em 2018. Ente eles, Igor Gomes, Luan, Diego Costa e outros jogadores que agora integram o elenco principal. (Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Na Era Cotia, a base são-paulina já venceu mais de 60 títulos: estaduais, nacionais e internacionais, sendo nove desses conquistados no próprio CFA e três no Morumbi. Além disso, tricolor é o maior campeão da Copa do Brasil Sub-20, título que o profissional ainda não tem.

Mais do que formar atletas, o CFA Laudo Natel forma jovens cidadãos para a sociedade brasileira e revela talentos para o mundo, como Hernanes, Casemiro, Lucas, Éder Militão, Oscar, David Neres e Antony.

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Beatriz Pestana

23 anos. Estudante de jornalismo. Apaixonada por futebol, é são-paulina fanática desde criança. Ama futebol de base e pretende seguir cobrindo essa área.

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