Cada um no seu quadrado

O título acima é um dito popular, mas que significa o desabafo do Mister.

A mídia e nós, torcedores, temos batido muito no clube.

De todos -jogadores, comissão técnica, departamento médico e fisiologia, direção- os menos culpados são os integrantes da comissão técnica, em especial o técnico.

Crespo erra? Erra.

Erra como qualquer bom técnico erra. Mas, tem tentado fazer um rodízio do elenco e tentado fazer alterações dentro das suas convicções e das parcas possibilidades do elenco.

Não podemos esquecer que temos peças limitadas em termos técnicos e em termos de experiência.

Um exemplo, é Vitor Bueno.

Um meia atacante frio, meio sem alma, mas que cumpre a missão passada – nem sempre atingida por suas limitações- com vontade, com boa vontade.
Os jogadores chegaram ao seu limite físico porquê?

Não se esqueça que em 2020, não houve o mês de férias em dezembro.

Passou uma semana das festas de fim de ano e terminamos o brasileiro no final de fevereiro/março.

Mudou-se o comando técnico e chegaram reforços.

Seria a hora para um descanso, para uma parada, talvez descansar uns 15 dias.

E o quê fizemos?

Emendamos com o campeonato paulista, com uma nova mentalidade de jogo, com marcação alta, pressão, com o objetivo de retomar a bola o mais rápido possível.

O elenco do ano passado já vinha com alguns problemas de contusão, outro bom exemplo disso, é que Luciano não vinha bem há algum tempo e também tem histórico de lesões.

Quanto aos novos: não esquecer que Miranda e Éder estavam alguns meses sem jogar. E era o campeonato chinês, gente!

Com o agravante da idade dos dois.

Benitez – com um histórico de lesões – foi um risco calculado, porque talento lhe sobra.

William foi um erro crasso, apoiado no testemunho errôneo de Volpi.

Orejuela não deu certo até agora, mas, ele algumas vezes serviu a seleção da Colômbia e foi quase disputado a tapa entre Grêmio, Cruzeiro e Flamengo.

O Cruzeiro chegou a pedir 23 milhões por ele. Chegou no Morumbi por 12 a 13 milhões parcelados em 2021 e 2022.

Bruno Rodrigues – que não está mais no clube – era uma aposta que não deu certo (indisciplinado taticamente).

Voltando ao paulista, apesar da parada de um mês, topou-se jogar de 2 em 2 dias, com o agravante do novo sistema de jogo mais desgastante.

Jogaram no limite e assim chegaram ao título, tirando 9 anos de sofrimento dos nossos ombros.

É lógico que o título foi como um orgasmo, onde você logo depois relaxa.

Ao mesmo tempo, o esforço físico acima da média para ganhar cobrou seu preço e começaram a aparecer as lesões.

E aí você junta Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil.

Os jogadores querem voltar para ajudar o clube e percebe-se que nem sempre estão preparados para isso.

Crespo na terça feira passada disse que Benítez não estava 100% e que inspirava cuidados.

Rigoni estava jogando muito pouco na Europa e aqui começou a jogar direto até chegar ao seu limite.

Então, não adianta entrar na caça as bruxas – seja departamento médico, fisiologia, preparadores físicos- incluindo aí até eu mesma. Precisamos de sossego para a comissão técnica.

Acho que foi bem explicado porque estamos nessa situação.

Crespo frisou em vários momentos na coletiva, o fato de não ter dinheiro, de saber que a diretoria não o enganou. Percebi que era uma irritação ponderada em termos da torcida e da mídia.

A torcida tricolor é tripolar porque reclama de tudo, parte para soluções simplistas e fáceis pra ela.

A mídia, como tudo, tem a boa e a má, os bens e os mal intencionados. E alguns são bem maldosos.

Tanto a torcida como a mídia são craques em crítica.

Crespo disse (UOL) “vamos trabalhar dia a dia sabendo que vamos sofrer e passar por situações difíceis. Mas vamos continuar a trabalhar todos juntos”.

E continuou ” a diretoria pagando dívidas e nós tentando ser competitivos na medida do possível”, detalhou (UOL).

Sem dinheiro, sem reforços, Crespo se apoia na base.

A base é boa, mas exige maturação, então estão maturando dentro de campo.

Vocês, bem sabem, que amadurecer demanda tempo. Wellington, Thales Costa, Galeano estão amadurecendo e nesse processo vão acertar e errar, vão ser irregulares.

Marquinhos está pulando etapas, está com 18 para 19 anos e está buscando minuto a minuto jogado uma maturação que ainda vai demorar.
Serve de alerta para todos nós, o desabafo de Crespo (UOL): ” Eu não sei se vou estar aqui para ver esse São Paulo, mas estou aqui para construir um São Paulo melhor.”

Espero que a diretoria, e em especial o presidente Casares, não entrem na da minoria da torcida e da mídia (e até conselheiros) que já pedem a cabeça do técnico.

Não há perfil melhor do que o de Crespo para o atual momento.

Seria um retrocesso a hipótese de demissão para agradar a ” gregos e troianos”.

Em contra partida, quanto a não haver $$$, temos consciência da grave crise financeira do SPFC; mas isso não é desculpa para o péssimo trabalho dos scouts de Belmonte.

O trabalho deles é pesquisar e fornecer soluções para as demandas do técnico.

Se você não pode adquirir os jogadores da primeira prateleira, você tem que buscar os da segunda e terceira prateleiras.

Desde que atendam as necessidades definidas nos perfis.

Se você não pode comprar os perfis mais desejados, você tem que buscar os que estão livres ou os que podem ser emprestados a um custo pagável.
Eu diria que isso é enquadramento dos perfis desejados.

Não dá para engolir quase 5 meses, trabalhando 8 horas por dia, 40 horas por semana, 160 a 200 horas por mês; para encontrar um primeiro volante, um zagueiro canhoto e um centroavante; e não conseguir atingir os objetivos.

Principalmente se você levar em conta que não é um scout, mas hoje são 4 a 5.

Isso também deve favorecer a irritação do Crespo.

Se ele está irritado, imagina nós!

Acorda Belmonte!

Quanto a Crespo, posso te dizer: sei que você vê as coisas, sei que você sabe o que tem para melhorar, sei que você vê o que vemos e sei que as coisas vão melhorar.

Mas, que uma ajudinha do presidente Casares será boa, será.

Não é, presidente?!

(Foto: SPFCTV)

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