Soberano Soberbo: a eterna reconstrução

FOTO:Divulgação
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O ano era 2008. O São Paulo Futebol Clube, multicampeão naquela década, recebia o apelido de “soberano” do seu torcedor.  O início de século era brilhante, o Tricolor empilhou títulos importantes, como a Libertadores, o Mundial e o tricampeonato brasileiro consecutivo.

Com um time formado por jogadores sem grife, mas com muita vontade, o São Paulo reinou no futebol brasileiro. Jogar no Morumbi, sem dúvidas, era motivo de preocupação para os adversários. Em 2008, no tricampeonato, o clube do Morumbi se recuperou de uma forma inesperada, após acabar o primeiro turno oito pontos atrás do líder Grêmio.

A SOBERBA TRICOLOR

A partir daí, a soberba tomou conta do Soberano. Tudo começou com Juvenal Juvêncio, mudando o estatuto do clube para benefício próprio. Em 2008, no ano de sua reeleição, após uma reforma estatutária, ficou decidido que o mandato passaria a ser de três anos.

Mas o egoísmo JJ, não parou por aí. Em uma nova reforma no estatuto, em 2011, que liberava um terceiro mandato do então presidente, foi empurrado goela abaixo em uma manobra não muito democrática. Sua última reeleição pode até ter sido legal perante a lei. Porém, sob o olhar moral, sua atitude agrediu, em todos os pontos, a ética.

Foto: Folha de SP
Foto: Folha de SP

A verdade é que, principalmente na sua terceira gestão, Juvenal Juvêncio foi contra extremamente tudo o que seu antecessor, Marcelo Portugal Gouveia, pregava. MPG visava fortalecer não só o time, mas a instituição São Paulo Futebol Clube.

Foi com essa visão de fortalecer o clube estruturalmente e acertar as receitas que reestruturou o Tricolor. Ao decorrer de sua gestão, os balanços anuais eram vistos como aulas práticas de planejamento, administração e, sobretudo, realização.

DIFERENTES GESTÕES, MESMAS PESSOAS

Um dos responsáveis pelos altos valores gastos inexplicavelmente dentro do São Paulo naquela época, retornou ao clube recentemente. Trata-se de Milton Cruz, que junto com Juvenal, brincou com as contas do clube. Como esquecer, por exemplo, do ótimo Grêmio Barueri de 2009, que rendeu Ralf e Castán ao Corinthians, enquanto Milton encontrou os “craques” Fernandinho e Xandão.

Foto: agência Vipcomm
Foto: agência Vipcomm

As contratações incompreensíveis não param aí. Foram anos de jogadores surgindo no São Paulo sem a menor explicação.  Em 2021, sob a nova gestão de Julio Casares, Milton Cruz retornou ao clube para cuidar da integração base/profissional. Pouco mais de seis meses depois, o executivo volta a ocupar o cargo que tanto foi criticado no início da década.

A derrocada do São Paulo começou exatamente nesse momento. Nas últimas dez temporadas, em quatro (2013, 2016, 2017 e 2021), o clube brigou para não ser rebaixado. Nada é por acaso, é reflexo de um clube mal estruturado internamente, sobretudo na direção.

Entretanto, como esquecer a briga entre o presidente Carlos Miguel Aidar e o vice-presidente Ataíde Gil Guerreiro, em 2015, que culminou na renúncia de Aidar. Naquela altura, áudios do então presidente confessando práticas de corrupção no comando do clube, foram divulgados. Foram diversos movimentos suspeitos, como o polêmico contrato com a Under Armour, a contratação de Iago Maidana e até mesmo a saída de Osório.

Foto: Marcello Zambrana/AGIF/Lancepress!
Foto: Marcello Zambrana/AGIF/Lancepress!

Para apagar o incêndio deixado pelas antigas diretorias, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, foi nomeado para o cargo. Ou seja, e não poderia haver nome pior para essa “reestruturação”.

O POPULISMO DE SEMPRE

O início chegou a ser animador. Leco parecia ter entendido sua missão no clube. Até que veio a pressão. A partir desse momento, o populismo tomou conta da sua gestão. Em 2017, Ceni chegou para comandar o elenco e, no final da temporada, Hernanes salvou o clube do maior vexame de sua história: o rebaixamento.

Não contente em queimar ídolos do clube, o presidente convocou Raí para ser o homem do futebol em 2018 e Diego Lugano para participar da diretoria. Mas sob sua gestão, o clube parecia não ter salvação. Os mesmos erros eram cometidos ano após ano.

Contratações badaladas e por rios de dinheiro, comprometendo a estrutura financeira do clube, salários exorbitantes que claramente não seriam cumpridos e muito mais. O São Paulo se acostumou a acumular vexames e dívidas.

TRANSPARÊNCIA?

Para salvar o clube, somente uma gestão com muita transparência, como prometido pelo presidente Julio Casares. Isso, claro, não foi executado. O atual presidente conseguiu, com muito esforço, perder o campeonato brasileiro de 2020 em apenas 11 rodadas. Campeonato esse, que convenhamos, estava quase ganho, né?

Foto: Djalma Vassão / Gazete Press
Foto: Djalma Vassão / Gazeta Press

Ou seja, o elenco, claro, teve culpa. As teimosias de Fernando Diniz foram cruciais para essa queda vertiginosa, claro. Mas a necessidade de holofotes de Julio Casares teve uma participação grandiosa na perda do título.

Com a prerrogativa de “humildade e pés no chão”, Casares conseguiu tirar o São Paulo da seca de títulos com a vitória do Paulistão de 2021. Título esse, que comprometeu toda a temporada do clube. Mas, ainda assim, a transparência imposta pelo presidente, não existia.

Passados 11 meses de gestão, alguém sabe qual a real função de Rui Costa? Porque, até então, o cargo de executivo de futebol é ocupado por Carlos Belmonte, homem retirado do Basquete Tricolor.

Inclusive, até hoje não são divulgados os valores reais da dívida com Daniel Alves, que variava a cada entrevista. As vendas de Brenner, Dener e Paulinho Boia, foram divulgadas em determinados valores. Mas, nos três casos, após a concretização das negociações, os valores já caíram. Não vou nem entrar no mérito do “maior” patrocinador da história do São Paulo. Ah, os valores reais já foram divulgados e, claro, não é o maior patrocínio da história do clube.

O problema vai muito além de treinadores e jogadores. Esses, são cobrados no lugar de pessoas de cima, da cúpula que realmente vem lutando para acabar com o São Paulo.

A ETERNA RECONSTRUÇÃO

Há dez temporadas o São Paulo reformula incessantemente seu elenco, seu corpo técnico, mas nunca sua diretoria e sócios retrógrados. Reconstruções como essas, nas quais não se mudam os principais pontos negativos, de pouco valem.

Jovem torcedor protesta contra o São Paulo
Jovem torcedor protesta contra o São Paulo

Em 2021, o medo do rebaixamento é real. Mais até do que 2013 e 2017, quando o clube começou lá embaixo e conseguiu se livrar. Já diria o sábio: “quem começa na zona, consegue sair. Quem entra no final, não saí”.

O time do São Paulo, apesar de muito tentar, ainda não foi rebaixado. Entretanto, a instituição São Paulo Futebol Clube, se rebaixa ano após ano.

 

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