Retranca, sim. E daí?

DNA uruguaio (Foto: Reprodução | SPFCTV)

Por que essa crítica, essa visão tão ruim sobre times e treinadores retranqueiros? Sinceramente, as retrancas não me incomodam em nada. O que me incomoda, PROFUNDAMENTE, é tentar fazer retranca sem material humano ou pior, sem saber armar uma. Isso sim é preocupante.

Recentemente, tivemos o Mito que tentou jogar com os tais 3 zagueiros (sei que o 3-5-2 não é necessariamente defensivo), não deu certo. Dorival tentou também. E os anteriores, vários. Talvez, pelo sucesso são-paulino nas últimas conquistas.

Aguirre, com DNA uruguaio, país reconhecido por estruturas defensivas fortes, tem tentado aplicar esse perfil ao São Paulo. Por enquanto, no Brasileiro, em 4 jogos, já tomamos 3 gols (0,75/jogo). Contra o Fluminense, uma falha pontual de posicionamento do Arboleda e gol dos cariocas. Ok, passa. Nosso camisa 5 tem média pequena de falhas e tem moral no atual elenco. Contra o Atlético, a cena é outra. Estávamos com 1 a 0 a favor, em casa. Confiante no time bem armado, Aguirre tentou abrir um pouco o setor pra ampliar o resultado. Nossa retranca foi por água abaixo, com dois gols do rápido Roger Guedes e do excelente veterano Ricardo Oliveira. Fechasse a casinha. Poderia sofrer o empate e seria muito criticado por fazer 1 a 0 e se trancar. Isso eu não criticaria. E explico:

O São Paulo há tempos não tem um time muito confiável. Reconhecer as limitações, ‘baixar a bola’ da soberba que já nos elevou a patamares de tirar nosso real chão tem feito com que nossos voos e tombos sejam cada vez mais patéticos.

A critério de informação. Em 2012, na Sulamericana, tomamos apenas 2 gols em 10 jogos. Nos Brasileiros de 2006, 2007 e 2008, levamos respectivamente 32, 19 e 36 gols, médias 0,84 / 0,5 / 0,94 por jogo. A média que estamos hoje não está nem entre a melhor, nem no estágio da pior. Mas, é indiscutível que hoje a vulnerabilidade de nossa defesa é muito maior pelos nomes que integram o setor e pela confiança que time e torcida têm. Ou melhor, não tem.

Faz-se necessário lembrar que nessas conquistas, tínhamos no gol Rogério Ceni. Hoje, Sidão. Sem críticas pontuais ao goleiro, mas, está muito aquém de nossa exigência e necessidade. O time pode ser retrancado, sim, mas, um goleiro que passe segurança ajuda bastante nesse processo. E parafraseando um famoso slogan de propaganda de biscoito: o Sidão não passa segurança porque a zaga deixa a desejar ou a zaga deixa a desejar porque ele não passa segurança?

PS: HOJE ESTAREI NO PROGRAMA ESTÁDIO 97, COMO ESTRANHO NO NINHO PARA FALAR DO NOSSO SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE. Energia 97,7FM – das 17h30 às 20h.

Diego Machado (Twitter: @diegolocutor) – às terças-feiras aqui no SPFC 24 horas. Grande abraço a todos!

Diego Machado

Locutor, jornalista, mestre de cerimônias. Autor do livro 'Nem Tudo é Poesia. Ou é?'. Sambista/ cavaquinhista (horas vagas)

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