“Entendemos que estamos no São Paulo” – diz, Reinaldo

Após vitórias contra o líder Flamengo e o rival Corinthians, a sequência continua complicada: Grêmio e Cruzeiro, fora. Na coluna da semana passada, abrimos o debate para palpites de quantos pontos faríamos desses 12. Eu, com otimismo, pelo que me lembro, chutei 6. Fizemos já esses 6. Não acredito que ficaremos nos 6. É pouco improvável acreditar em 2 derrotas seguidas. O time não apenas aprendeu a ganhar; mas, aprendeu também a não perder. Isso faz toda a diferença. E perder não é apenas o número absoluto do placar. É aceitar a derrota ainda em campo, é perder a vontade quando perde a bola. Depois de um longo e tenebroso inverno, parece que muitas coisas mudaram.

Agora, Leco é o cara e o São Paulo será campeão dos 2 torneios: Brasileirão e Sulamericana? Não. Nem tanto lá, nem tanto cá. Leco errou muito e quase nos tirou do seleto grupo dos que nunca foram rebaixados. Curiosamente, após colocar gente “do futebol” pra gerir o futebol, parece que o recado foi passado de forma mais clara. Jogar no São Paulo era sinônimo de bater uma pelada sem compromisso.

No ‘Bem, Amigos’ desta segunda, Cleber Machado perguntou a Reinaldo o que foi feito para que o São Paulo, em campo, mudasse a postura. A resposta categórica: “a gente entendeu que está jogando no São Paulo”. Cleber rebateu: vocês não sabiam?

Essas 3 etapas do diálogo resumem bem nossos últimos anos de sofrimento com o time e resultados péssimos, porém nada surpreendentes. Esta coluna de hoje vem apenas para pedir que, mesmo com toda a felicidade e perspectiva positiva que se apresenta, tenhamos a compreensão que ainda temos limitações que já nos tiraram da Copa do Brasil, por exemplo e ainda podem nos aparar nas fases mais estreitas.

Tenho uma teoria dos “Pontos Improváveis”, que tratam dos jogos que, no início do campeonato, contamos 1 ou nenhum ponto e, por alguma circunstância, beliscamos os 3. Contra o Atlético-PR foi um desses casos; Flamengo, outro exemplo; e Corinthians, pela dificuldade que temos no retrospecto contra eles, muito desfavorável pra nós e o que justifica tamanha felicidade em batê-los em campo. Grêmio, fora, é outro jogo, de 3 não, 6 não, vale mais. Vale confiança e isso faz ganhar pontos bestas que às vezes se perde por duvidarem deles mesmos. Pra cima do Grêmio e de mais 3 PONTOS IMPROVÁVEIS.

Para nós, após tanto tempo de lamentações e frustrações, espero, claro que apoiemos o time em campo e torçamos por vitórias e mais vitórias para retomar nosso posto de merecedor de conquistas. Só peço que esta empolgação tenha pelo menos um pouquinho de sanidade para não haver decepções e, por fim, perseguições a culpados 1, 2 ou 3. Apenas, comemore, sem levar cartão (palhaçada isso, né?) e tenha consciência que ainda temos Leco, ainda temos fragilidades e que a reconstrução é um processo.

Diego Machado

Locutor, jornalista, mestre de cerimônias. Autor do livro 'Nem Tudo é Poesia. Ou é?'. Sambista/ cavaquinhista (horas vagas)

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