Com possível G-9, pressão por Libertadores passa a ser ainda maior no São Paulo

Com mais vagas, clube fica mais pressionado na briga pela classificação, assim como o treinador. Foto: Rubens Chiri/SPFC

Se há alguns anos a classificação para a maior competição do continente era um feito para poucas equipes no Campeonato Brasileiro, não se pode dizer o mesmo da atual edição. Afinal, com o país garantindo tanto o título da Libertadores (Palmeiras ou Flamengo) quanto da Copa Sul-Americana (Red Bull Bragantino ou Athletico Paranaense), 9 clubes do Brasileirão disputarão a Libertadores 2022 – ou seja, praticamente metade das equipes carimbarão o passaporte.

Esse cenário impacta diretamente o São Paulo, para o bem e para o mal. Com mais vagas em jogo, a chance de o Tricolor retornar à competição no ano que vem é maior – afinal, poucos pontos separam o clube do 9º lugar – posição que seria suficiente para a classificação caso o campeão da Copa do Brasil, da Libertadores e da Sul-Americana também integrem o grupo dos 9 ao final do Campeonato.

Por outro lado, ficar fora da principal competição do continente em meio a tantas vagas disponíveis seria muito desapontante, sobretudo para uma equipe que chegou a ser apontada como favorita ao título após o bom início de trabalho de Hernán Crespo. Logo, a pressão para que o clube se classifique em meio será muito maior, tanto internamente (já que ficar fora da Libertadores tem um impacto enorme nos cofres) quanto da torcida.

Hoje, no entanto, o cenário é de incômodo, diante do desempenho ruim nas últimas rodadas e da pontuação que ainda deixa o clube perto de outra “zona”: a do rebaixamento.

Grupo fechado pela Libertadores

Ainda que os prognósticos de apostas para o São Paulo não sejam os mais favoráveis, já que o clube não está muito longe do Z-4, o pensamento de todos no clube é de buscar presença na maior competição do continente. Ou seja, já que a conquista do título é praticamente impossível (as casas de apostas apontam 0,2% de chance).

Após o empate diante da lanterna Chapecoense, no último domingo, Crespo voltou a reiterar que o pensamento da equipe não está na parte de baixo da tabela, mas sim na obtenção da vaga. “Tenho que pensar que fomos campeões no Paulista. Claramente não estou satisfeito. Acredito que vamos melhorar, continuar melhorando pelo objetivo, que é a Libertadores. Temos ainda rodadas importantes”, disse o treinador em Chapecó.

Apesar da confiança do treinador, os números recentes mostram que, mesmo com a abundância de vagas para a Libertadores, o Tricolor terá dificuldades para se classificar: são apenas 6 vitórias em 23 partidas, com 19 gols marcados (4º pior ataque da competição, à frente apenas de Chapecoense, Sport e Grêmio).

Além disso, o São Paulo não consegue engatar uma boa sequência para integrar a parte de cima da classificação, algo que ainda não aconteceu neste campeonato. Só nas últimas rodadas, os pontos perdidos contra América/MG (em casa) e Chapecoense impediram o Tricolor de se afastar de vez do Z-4 e brigar com mais força na metade de cima da tabela

O que a reta final aguarda?

A boa notícia para o restante da temporada é a volta da torcida ao Morumbi após mais de um ano, o que pode dar uma motivação ao grupo e propiciar uma reação – ainda que seja um público reduzido neste retorno, com previsão de 100% da capacidade a partir de novembro. Porém, se o clube repetir atuações como as que teve no Morumbi diante de América, Cuiabá, Chapecoense e Fortaleza (somando 3 de 12 pontos possíveis nestes confrontos), o apoio se transformará rapidamente em pressão e vaias.

Em termos de tabela, o clube ainda terá confrontos contra 6 dos 8 primeiros colocados – Palmeiras (fora), Flamengo (casa), Fortaleza (fora), Bragantino (fora), Corinthians (casa) e Internacional (casa). Em contrapartida, ainda enfrenta muitos dos times que estão abaixo na classificação, a começar pelo Santos, na quinta-feira.

Os possíveis cenários para a Libertadores

Com 9 vagas já garantidas ao Brasil na Libertadores, resta saber como será essa configuração no Brasileirão. O cenário mais provável é que até o 9º colocado se classifique. No entanto, se o Athletico Paranaense ganhar a Sul-Americana e cair de desempenho no Brasileirão, por exemplo, ficar em 9º já não seria suficiente para o São Paulo.

O que é possível garantir desde já é um G-7, pelo menos. Afinal, a Libertadores ficará entre Palmeiras e Flamengo, clubes que dificilmente sairão do G-4. Portanto, os cinco primeiros devem ter presença garantida na fase de grupos, enquanto 6º e 7º disputarão, no mínimo, a fase prévia da maior competição das Américas.

Porém, ainda há a Copa do Brasil. Três dos quatro semifinalistas estão entre os 4 primeiros (Flamengo, Fortaleza e Atlético Mineiro). Se um deles vencer o torneio e se mantiver na parte de cima da tabela, mais uma vaga será aberta de forma direta no Brasileirão. Nesse cenário, 7º e 8º disputariam a fase prévia da Libertadores.

Portanto, não é um absurdo imaginar que o São Paulo possa disputar novamente a Libertadores mesmo fazendo uma campanha tão abaixo do esperado no Brasileirão. Porém, antes mesmo de pensar em classificação, o time precisa reencontrar o bom futebol apresentado na reta final do Paulistão – caso contrário, a pressão só irá aumentar.

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