DESABAFO: O imediatismo do torcedor contribui com a crise no SPFC

Fernando Diniz foi eleito o novo bode expiatório da torcida (Foto: Divulgação)

Saudações TRIcolores!

Mais uma vez, como de costume, o torcedor do São Paulo decidiu encontrar culpados para mais um péssimo momento que o clube vive. Também, como já é corriqueiro, o eleito foi o treinador, desta vez, Fernando Diniz.

Fernando Diniz foi anunciado em 27/09/2019, como novo treinador do clube, após consulta entre o Departamento de Análise de Desempenho e o plantel de jogadores do São Paulo, como uma alternativa de médio prazo para o desenvolvimento de um modelo de jogo, com características de versatilidade, manutenção de posse de bola e melhora nos índices de gols do time, que tinha enormes dificuldades de transformar as chances criadas em gols efetivos.

Sua contratação foi questionada pela torcida desde o primeiro momento, tendo como ponto de análise as passagens ruins no Fluminense e no Athletico Paranaense. Compreensível o questionamento, mas havia um apelo dos jogadores por sua chegada.

Seus resultados foram instáveis no primeiro momento, alternando entre boas sequências e derrotas incompreendidas, como a derrota para o rebaixado Cruzeiro, no momento em que o time mineiro estava em decadência absoluta.

Após este ciclo, Diniz começou a dar um estilo de jogo ao São Paulo, acumulando resultados mais positivos e dando corpo ao time que não tinha a menor efetividade no ataque, trazendo o popular “Dinizismo”, antes da parada em decorrência da Pandemia do Coronavírus, tendo empolgado a torcida com um futebol que pouco se via nos últimos anos.

Histórico de todos os treinadores da Era Leco (Foto: Heitor Franco)

Com Fernando Diniz, o São Paulo teve uma melhora de 35% no número de gols marcados, se somadas as passagens de André Jardine e Cuca juntos. A defesa manteve a média nos gols sofridos.

Agora o dado mais interessante: o trabalho de Diniz, extremamente contestado pelos torcedores, é o que possui o melhor aproveitamento desde a saída de Milton Cruz, em 2015.

Depois de muito ter estudado esses fatos, analisado jogo por jogo, desde 2015, verificando todas as crises que o SPFC passou neste período, bem como a reação da torcida nesses momentos, surgiu a seguinte problemática:

“A Torcida, ao condenar o treinador, fazendo pressão para sua saída, é responsável por agravar as crises no clube”

A insatisfação pelo tempo sem títulos, os maus resultados que ocorrem sazonalmente, eliminações vexatórias e a clara incompetência da Diretoria do clube tornaram a torcida do São Paulo um verdadeiro barril de pólvora.

Como a maioria são pessoas leigas, levadas pela paixão pelo clube, indignadas pelo jejum de 8 anos, é sempre mais fácil criar uma pressão em cima do treinador, como se ele fosse o único culpado pelos maus resultados em campo. Nessas horas, esquecem de todos os fatores que levam um time a crise: jogadores descomprometidos, rachas de elenco, salários atrasados e relacionamento conturbado com a diretoria.

Mesmo sem saber, a Torcida do São Paulo se torna mais uma bomba-relógio para agravar a crise que o time vive e, quando pede a cabeça de um treinador (Diniz é o 15º treinador diferente em 7 anos), que é sempre atendido pela incompetente diretoria presidida pelo Leco, impede que um trabalho contínuo seja realizado, para que os frutos sejam colhidos.

Se o problema fosse treinador, não seria necessário realizar 15 trocas. Mas parece que ninguém entende isso.

A realidade é que os números de Fernando Diniz a frente do São Paulo são os melhores da Era Leco, e sacrificá-lo seria dar um “murro em ponta de faca”.

A crise do São Paulo tem diversos culpados, mas de todos, Diniz não está nem perto de ser o maior deles. Pressionar uma demissão no comando técnico seria só assinar mais um atestado de imbecilidade.

Heitor Franco (@titofrancospfc)

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