Crespo é a solução?

Crédito: Getty Images

Por Rafael Oliveira

Twitter: raffa_tricolor

Mais um empate na conta do Time mais Amado. Com isso são cinco empates seguidos e a última vez que isso aconteceu com o São Paulo, o salário mínimo brasileiro era R$ 120 e um quilo de feijão custa R$ 0,79.

O ano era 1997, nosso camisa 10 era Dodô. No mesmo ano ele marcou incríveis 55 gols – cinco em uma só partida contra o Cruzeiro – formando dupla com Aristizábal.

97 passou como um ano agridoce para os são paulinos. Apesar de cinco empates seguidos, terminamos vice campeão paulista e em 12º no Brasileiro pré-pontos corridos.

Uma campanha parecida com a nossa de hoje. Ao invés de vice, fomos campeões de um campeonato que ok, tem sua importância, mas que é pequeno para um clube três vezes campeão mundial. No Brasileirão deste ano estamos uma posição atrás do time de 97.

A culpa, venho defendendo nessa coluna e nas redes sociais, passa longe de Hernán Crespo. O time que venceu o Paulistão seguramente deveria estar lutando junto a Flamengo, Palmeiras e Atlético MG pelas primeiras colocações da tabela. Não deveríamos, nunca, olharmos com inveja do Red Bul Bragantino, em 5º lugar por merecimento, diga-se. É um time que espelha sua administração: seguro, previsível, organizado. Tudo que o São Paulo não é.

Os culpados, tenho bastante clareza disso, são alguns jogadores e a Diretoria tricolor. Os homens que administram o São Paulo com uma mentalidade retrógrada e atrasada, mas que passam ares de modernidade porque aprenderam a usar mais ou menos o Instagram e gerar memes nas redes sociais.

Importante dizer que fazem uso das redes sociais apenas em caso de vitória. Casares foi o primeiro a segurar a taça do Campeonato Brasileiro feminino sub-18, feliz como pinto no lixo, como se diz o ditado. Em caso de empate ou derrota, é mais fácil encontrar um vegetariano em churrascaria do que Casares online.

Junto com a pressão do time que deveria render mais e não rende, começa a desmoronar a paz e tranquilidade no vestiário. Luciano e Calleri brigando para bater um pênalti; Benítez e Igor Gomez brigando para bater falta. Crespo a beira campo já não é mais tão tranquilo, tão sereno. E a torcida, bem a torcida tricolor também não ajuda as vezes. Lamentável o vídeo onde Pablo é xingado durante o aquecimento do último jogo contra o Cuiabá.

Ele não é o atacante que Dodô foi, para ficar em um único exemplo, mas sempre – grife o sempre – respeitou a torcida e o clube. Seu único problema foi ter chegado como chegou: a contratação mais cara do São Paulo até então. Viesse como um jogador para compor elenco, não seria alvo desse tipo de atitude besta de parte de nossa torcida.

Agora a pergunta de ouro, título deste artigo: se Crespo não é o problema deste time, ele é parte da solução?

E a resposta é não, não é.

É como se ao cozinhar aquele almoço para sua sogra, você derramasse todo o saleiro no molho de tomate da macarronada de domingo. Não tem batata ou água que conserte. Ai você escolhe se serve o molho assim mesmo ou se começa a fazer outro do zero.

Outro exemplo é o da pessoa que possui problemas pessoais internos e acredita que será o seu namorado ou namorada quem é a solução para eles. Não é. O máximo que você fará é bagunçar a vida de outra pessoa além da sua, pensando assim.

Crespo não é parte do problema nem da solução porque é um treinador jovem, em formação, com boas ideias para acrescentar ao futebol – europeu inclusive – durante os próximos anos. Mas agora, no atual momento dele e do São Paulo, parece óbvio que ele não resolverá os problemas, novos e velhos, que nos assombram: elenco com psicológico fraco, diretoria incompetente e atrasada, infraestrutura precária, DM que não recupera lesões a tempo, preparo físico insuficiente para a temporada e tantos outros que dariam um livro se fosse enumerar.

Porque convenhamos, ainda para ficar em um único exemplo, que é simplesmente INADMISSÍVEL um elenco se perder na reta final de um campeonato quase ganho porque o treinador tratou mal um jogador da equipe. Diniz saiu do clube como o responsável por perder o elenco com aquele gesto, mas pelamordedeus, QUE ELENCO É ESSE que se perde com tão pouco? Que psicológico é o desse time?

E não, não peço a volta do Diniz, antes que me xinguem – de novo – nas redes sociais.

Peço apenas que em 2022 o São Paulo reveja a permanência de Crespo. Se ele vai ficar ou não depende apenas de saber se, até lá, ele conseguirá ou não se tornar parte da solução para nossos problemas.

Caso não consiga, que valha o conselho de meu avô, tão velho quanto o São Paulo, portanto um dos primeiros são paulinos deste país: muito ajuda quem não atrapalha.

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