Como é ser um setorista do São Paulo? Entrevista com Giovanni Chacon

Foto por: São Paulo FC

Existem diversos motivos pelo o qual todos nós aprendemos a amar o São Paulo, e, desde que esse sentimento começa a existir, nos vem acompanhado uma vontade de estar perto do nosso clube do coração.

A primeira chance vem com o sonho de se tornar jogador profissional, quem nunca se imaginou entrando no Morumbi lotado em uma noite de liberadores? Com o tempo esse sonho se mostra mais distante, então outras alternativas surgem. Com a proximidade com o meio esportivo nós conhecemos diversas áreas ligadas ao clube do qual podemos fazer parte. Seja na diretoria, na comissão técnica ou como Jornalista…

Foto por: Giovanni Chacon

Para falar um pouco mais sobre o sonho de se tornar um jornalista esportivo (e ligado ao São Paulo), conversamos com Giovanni Chacon, repórter e comentarista da Jovem Pan. Giovanni iniciou a sua carreira novo, ainda com 17 anos, de forma voluntária. Com o tempo adquiriu experiencia, entrou em uma faculdade de Jornalismo e se efetivou no cargo. Hoje, com 22 anos de idade, Chacon é um dos principais comentaristas da Jovem Pan e possui muito domínio quando o assunto são as informações dos bastidores do São Paulo.

Aqui está a entrevista feita pelos colunistas Gustavo Marinheiro e Alan Oliveira:

Essa vontade de se tornar jornalista esportiva sempre existiu? Como foi o seu inicio de carreira? 

R: O começo da minha carreira foi complicada, eu sempre soube que era difícil entrar no meio esportivo, soube que não iria ganhar bem. Em 2015 eu prestei para Geografia na USP e passei, mas o meu pai sabia que eu respirava esporte, então, entrou em contato com o Flávio Prado (com quem ele já havia trabalhado em um evento) e pediu para ele dar uma força.

Fui para a rádio com uma camisa do Dinamo de Kiev (meu time do coração), conversamos sobre a bela história do clube e o Flávio se interessou. Então, ele me chamou para ajudar a rádio aos finais de semana de maneira voluntária. Com o tempo prestei para jornalismo e me encaixei no estágio de fato, dentro da rádio. 

Como foi sua primeira experiencia em uma cobertura jornalistica? 

R: A primeira cobertura que eu fiz foi na apresentação do Scarpa, no Palmeiras. Eu fui substituir o setorista no dia. Fiquei nervoso, fiz uma pergunta, gaguejei bastante, mas fiz. O primeiro jogo foi um Palmeiras e Santos, no Allianz Parque. Fiz toda a jornada, desde o pré até o pós. Errei algumas vezes, mas acertei bastante. Nos comentários estava a minha maior referencia jornalistica, o Mauro Betting. Então imagina o frio na Barriga…

Muitos desejam se tornar jornalista para estar mais perto do seu ídolo, mas sabemos que não é bem assim. Quando estamos trabalhando temos de separar o pessoal do profissional, mas como é poder encontrar tanta gente grande no meio do futebol todos os dias? 

R: No começo eu fiquei mais bobo de estar dentro do CT, dentro do estádio. Quando eu encontrava um jogador eu ficava nervoso, se eu fazia uma pergunta eu me preocupava de estar sendo indelicado, de estar incomodando. Com o tempo a gente percebe que eles são normais, assim como nós. Até hoje eu sinto um nervosismo, mas é um nervosismo bom. Eu ainda não encontrei meus dois grandes ídolos, mas um dia pretendo encontrar e não sei como será essa experiencia. 

O maior que eu já entrevistei  até hoje foi o Zico. Além de gigante ele é um cara muito prestativo. Ele estava no meio de um evento e precisava participar de uma premiação, porem, eu o parei e perguntei se ele podia dar alguma palavrinha para a Rádio. Ele pediu para o pessoal enrolar a premiação, parou tudo e respondeu todas as perguntas. É um cara gigante como pessoa e como jogador.

E em relação aos jornalistas, como é o contato com grandes figuras da reportagem esportiva?

R: O Mauro sempre foi minha referencia. Ele é um cara Palmeirense assumido, mas sabe ser totalmente imparcial. Critica quando precisa, elogia quando merecido. Ele é absurdo tanto quanto a qualidade de passar informação quanto o sentimento.

No convívio diário dentro do CT o Eduardo Affonso é uma referencia para todos os jovens setoristas, não só para mim. Eu gaguejava quando ia falar com o Flavio Prado por exemplo, hoje nossa relação é super tranquila. São presentes que o jornalismo esportivo nos dá. 

E dentro do CT? Como é a relação com os outros setoristas?

R: É todo mundo se ajudando, nosso convívio é muito bom. Se precisa do contato de alguém a gente se ajuda, se o outro precisa, eu ajudo. Se ficar nessa de “eu vou defender o meu” você só se atrapalha. Cada um tem seu publico, cada um trabalha para um veiculo diferente, não precisa dessa disputa. 

Como é o contato com assessores, tanto os do clube, quanto os dos jogadores? 

R: Tem assessores que não fazem acontecer, que são pagos para blindar jogador, para não deixar falar com a imprensa. Existem outros que criam relações de amizades, que ajudam, que entendem que é bom para a imagem do jogador ele aparecer na mídia. Existem assessores e assessores. Existem os que ajudam e os que não querem de jeito nenhum, as vezes até de jogador “mais ou menos”… 

E com os conselheiros do clube e com a diretoria? 

R: Cada caso é um caso. Uns querem aparecer, divulgar idéias, outros apertam um pouco mais. Alguns gostam de mostrar projetos, outros até são bem intencionados, nos tratam bem, mas não conseguem fazer acontecer. Agora, existem outros que são bem malas, parece que você tá indo falar com o papo…

Falando sobre o jornalismo na Web, o que você acha de páginas como o da SPFC 24 Horas, por exemplo?

R: Depende. Eu por exemplo participo da Jovem Pan e da Arquibancada tricolor, são trabalhos diferentes. A Jovem Pam é mais informativa, o Arquibancada tem mais haver com opinião, é um trabalho mais parcial. Vocês fazem um trabalho legal na SPFC 24 Horas, mas existem paginas que fingem que tem fontes dentro do clube. De resto eu acho necessário e que ajuda muito o clube, até mesmo a aumentar engajamento e mídia. Só tem de entender que são trabalhos diferentes , a Jovem Pam é isenta, nosso trabalho é totalmente imparcial. Mas ambos são importantes. Todos são certos e devem existir. 

Esse foi o nosso papo com o Giovanni Chacon. Queremos o agradecer novamente pela abertura e por tirar um tempo da sua rotina para dar uma entrevista tão bacana para gente. Espero que tenha motivado todos aqueles que sonham em um dia entrar no meio esportivo, que vocês tenham tirado todas as suas duvidas e se inspirado muito mais.

As redes do Giovanni são @giovannichacon_  no Instagram e no Twitter.

Gustavo Marinheiro

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Gustavo Marinheiro

Meu nome é Gustavo Marinheiro, sou estudante de Jornalismo, fotógrafo e professor. Escrevo há 3 anos, sendo sobre o São Paulo há 2.

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