As falhas nas execuções táticas do São Paulo

FOTO: @SaoPauloFC

A eliminação nas quartas de final para o Fortaleza resultou em mais um desastre para o restante da temporada. Deixando a equipe apenas com o Campeonato Brasileiro em disputa, no qual ocupa a 16º colocação.

A temporada que parecia ser promissora com a apresentação de um bom futebol veio desmoronando depois do título estadual. Com atuações muito ruins e bem abaixo da produção esperada.

Se pegarmos os jogos das duas eliminações nas quartas de final, diante do Palmeiras pela Libertadores e do Fortaleza pela Copa do Brasil, teremos muitas coisas semelhantes em falhas táticas que justificam a derrota e que ocorreram em um espaço de praticamente um mês.

Outro ponto destas eliminações, e isso não é algo exclusivo desta temporada, é que além das más atuações, falta o entendimento do que a partida significa. O time entra de uma forma no qual não parece entender o ritmo e atitudes que jogos eliminatórios pedem, e acaba sendo dominado no ganho de posses e dividias. E para piorar, acontecem falhas bizarras que complicam ainda mais a classificação.

COMISSÃO TÉCNICA E RESPONSABILIDADES

O técnico Hernán Crespo e sua comissão têm as suas parcelas de culpa. Principalmente em algumas substituições durante os jogos, não variar a formação tática, escalar como titular quem acabou de voltar de lesão ou insistir em jogos sem um volante base. O que dificulta na parte defensiva e deixa o meio muito exposto.

Na parte tática dos erros dos jogadores, as atuações vieram despencando em produções e qualidade, o que compromete toda a estrutura de jogo que é implantada e treinada. Na defesa, apenas Arboleda, Miranda e Léo passam confiança de verdade, a ausência de um deles complica o sistema defensivo, principalmente no jogo aéreo. E o Volpi que vêm acumulando falhas em jogos muito importantes, e nos menos importantes também.

PLANO DE JOGO

Desde que Crespo chegou ao comando da equipe ele implantou o sistema com três zagueiros que visa ter o controle do jogo através da posse de bola. Tendo as principais ações do jogo controlando os espaços para atrair a defesa adversária e atacar os espaços deixados para os alas, meio campistas e atacantes.

Esse sistema com os três zagueiros é sim muito bem vindo e válido, já que consegue liberar os demais jogadores nas ações ofensivas permitindo que eles joguem mais próximos a grande área por maior parte do tempo. O que facilita as jogadas de fundo de campo e triangulações e mantem uma boa base atrás para evitar contra-ataques.

Mas para que isso ocorra, a base lateral da trinca de zaga precisa oferecer um perigo na criação ofensiva para assim atrair marcadores da segunda linha adversária. A aproximação dos companheiros faz a bola chegar na lateral ou no meio, próxima a área, de forma trabalhada e apoiada.

Defensivamente um time bem postado que marca em linha alta boa parte do jogo pressionando a saída de bola adversária e que consegue balancear o encaixe em formações táticas para linhas de cinco ou quatro. Para o ala marcar o lateral do lado que está a jogada e o ala oposto desce na linha baixa ou sobe na linha alta.

AS FALHAS NA EXECUÇÃO

Até um certo período isso deu certo e o time efetuo muito bem este plano de jogo, porém, ao decorrer da temporada, as marcações dos rivais mudaram e o time pouco soube se adaptar a essas mudanças, ficando preso em sua própria estratégia de ter a posse, mas sem encontrar espaços do meio para frente.

Léo, por exemplo, é o zagueiro mais apropriado a realizar essa função e que no começo realizou muito bem, chegando a ser destaque. Mas de vários jogos para cá, essa ação de subir com ela dominada ou encontrar passes entre as linhas adversárias pararam de acontecer e ficamos presos a toques laterais, o que deixa a transição lenta e muito pouco efetiva.

Se considerarmos agora o outro lado, a dupla Benítez e Igor Vinícius, que vinham dando certo, também pararam de realizar as jogadas pela linha de fundo, deixando o lado direito refém das atuações de Rigoni.

O MEIO DE CAMPO

No meio de campo, a bola precisa circular mais rápido entre os volantes e o meia precisa receber entre as duas últimas linhas da defesa adversária e aproveitar os espaços e a proximidade dos companheiros para executar as triangulações ou os passes em profundidade para os alas. Algo que todos os meias da equipe vêm falhando, poucas oportunidades estão sendo criadas por este setor.

Luan e Liziero/Nestor é uma ótima dupla, mas Luan que é um ótimo marcador não contribui tanto na criação e Liziero/Nestor ainda fica devendo na proteção na frente da zaga e chegam poucas vezes à área adversária. Gabriel Neves tentará trazer um equilíbrio maior entre os volantes na criação e defesa frente à zaga.

Luciano é uma peça chave e fundamental neste tipo de criação com a sua facilidade para flutuar entre a zona central apoiando na criação ofensiva. Porém está mal devido as sequências de lesões e consequentemente a falta de ritmo quando entra em campo.

Benítez, Igor Gomes e Gabriel Sara não conseguem manter bons jogos em sequência. Logo, as baixas atuações dos meias dificultam cada vez no volume de criação da equipe. Sara é o único com melhor poder de recomposição defensiva entre os meias.

Como o time não consegue fazer os espaços aparecerem devido a lentidão na saída de bola e envolve muito pouco a equipe adversária a abrir espaços. Os alas ficam presos junto a linha dos volantes e não conseguem chegar até o fundo para concluírem as jogadas.

O SISTEMA TODO SENTE

O ataque está totalmente dependente das grandes atuações de Rigoni, que vem fazendo uma temporada incrível desde que chegou contribuindo com gols, assistências e ajudando na criação. Mas fora ele, Luciano e Éder que estavam bem estão sofrendo muito com as lesões e ritmo de jogo. Enquanto Pablo não consegue ajudar a equipe como deve ou se espera. A ver como Calleri fará as atuações.

A defesa não marca mais com a linha alta fazendo pressão, e quando sobe é pouco efetivo inibindo as ações. Entretanto, mesmo marcando em zona mais baixa ainda cede muitos espaços na construção da equipe adversária. Hoje é uma equipe muito menos intensa neste lado do jogo.

Para piorar, o time também não vem conseguindo inibir os contra-ataques ou ganhar os duelos aéreos. Quando sai atrás do placar não consegue buscar o resultado e quando fica à frente não consegue segurar o resultado positivo.

LÍDER NA TABELA DE LESÕES

O acumulo de lesões não pode ser colocado de lado e fingir que não afetou nestas quedas de desempenho. Entretanto, o time é quem mais sofreu, e ainda sofre, com lesões ao longo da temporada, principalmente as musculares.

Titulares como Arboleda, Benítez e Luciano sofreram com ritmo de jogo devido a lesões consecutivas. Ou seja, Wellington, Éder e Marquinhos que entraram bem, sofreram com lesões logo em seguida.

Essa acumulo das lesões e falta de ritmo interfere bastante na execução e principalmente no entrosamento do time. Já que não conseguem manter uma sequência juntos entre as partidas.

QUALIDADE TEM, MAS FALTA ATITUDE

Não tem como negar que o time tem boas peças e que pode sim brigar na parte de cima da tabela. Como poderia também ir mais longe nas competições mata-mata, mas é necessária uma mudança de postura urgente e encarar as partidas com seus devidos valores. Algo que infelizmente não ocorreu.

Há peças para encaixes de diversas formas táticas e escalações, com diferentes idades e características. Mas para darem certo, tanto a comissão técnica precisar errar menos em suas decisões a beira do campo. Tanto os jogadores precisam se imporem mais e lutarem pela vitória, executando corretamente a tática imposta.

A ver o restante da temporada como será, tomara que com o time completo!

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Lucas Mariano

São-Paulino, estudante de jornalismo e apaixonado por esportes. Twitter: @LMariano96

Este post tem um comentário

  1. Willian Ferreira

    Excelente análise. Contribuiu dizendo que temos sofrido bastante com os encaixes de marcação individual, pois para esse tipo jogo é necessário que o físico esteja 100%. Coisa que não temos. Soma-se a isso, vários jogadores jogando sem ritmo devido as lesões. Resultado nao poderia ser diferente se não essa quantidade de gols q estamos tomando.

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