[EXCLUSIVO SPFC24HORAS] Entrevista com Aloisio Chulapa

Um jogador diferenciado e, acima de tudo, um torcedor fanático. Foi com ele que nos reunimos para bater um papo descontraído e tirarmos curiosidades pessoais e de alguns seguidores. Aloisio Chulapa, campeão mundial em 2005 e tri campeão brasileiro em 2006, 2007, 2008 pelo São Paulo. Ali, o São Paulo, que já vencedor ao ter passado pelas mãos de Telê Santana, escrevia um novo capítulo glorioso na sua história, sendo por mais alguns anos o maior do Brasil e estando no topo do mundo. Os anos de 1992, 1993 e 2005 elevaram o nível do clube e Aloisio teve papel fundamental em 1/3 desta história soberana, que atraiu cada vez mais torcedores para o clube, os mesmos que em breve viriam a ter uma interminável angústia em busca de anos gloriosos novamente (que acabaram já faz tempo!). Junto das recordações emocionantes se foram grandes ídolos são-paulinos, entre eles, o entrevistado, que já não entra mais em campo pelo tricolor, mas torce e sofre como nós que dominamos as arquibancadas.

Aloisio, mais conhecido como Rei do Danone, explicou sobre a importância da conquista do mundial de 2005, afirmou que time gigante não cai, elogiou a torcida, garantiu que jogador maior do que Rogério Ceni não existe neste mundo e disse ainda que jogaria até de graça para ajudar o São Paulo nesta fase.

Com estes e outros diversos assuntos, junto a uma vitória fenomenal contra o Flamengo, foi a ‘tarde do danone’ de nossa colunista do SPFC24horas com o ídolo Tricolor,  no último domingo (22).

Vemos muitos comentários sobre o exemplo que o Tricolor era para os outros clubes na época do mundial de 2005 e você esteve lá… como era o São Paulo naquele período?

Para te falar a verdade naquela época o São Paulo era o time que todo mundo tinha aquela confiança, todo o mundo já sabia que iríamos ganhar as coisas. O mundial foi a conquista mais importante para nós, por que ninguém acreditava que iríamos bater o time do Liverpool, eles estavam a treze jogos sem perder e sem tomar gol, e todos tinham “treze metros” de altura, principalmente a defesa deles que era gigante, grande pra caramba, mas graças a Deus deu tudo certo. Hoje o São Paulo aumentou bastante o número dos torcedores depois daquele ano de 2005 e dos três brasileiros consecutivos. É um time que não vive sem título, e é complicado estarmos todo este tempo sem.

Vemos muitos jogadores passarem pelo São Paulo e criarem uma identificação com o clube, mas amar tanto o Tricolor é algo raro e você faz parte desta raridade. Por que tanto carinho?

Eu era torcedor fanático desde criança, torcedor de coração mesmo. Esse sou eu. Sofro para c* com o São Paulo, principalmente porque tenho vários amigos que são corintianos, palmeirenses e santistas que ficam me zoando que vamos cair. Eu sempre brinco com eles que time grande cai, gigante não. E tem aqueles que me chateiam, como os palmeirenses, e eu também brinco, falo que pelo menos temos mundial.

E o carinho pela torcida, que vem dando show neste ano?

É importante e emocionante para mim ver essa torcida apoiando até o final, dando um verdadeiro exemplo. Porque se fossem outros torcedores de outros times, eles já estariam invadindo CT, quebrando ônibus e carro de jogador. Mas não, a torcida está em peso ali com o grupo, torcendo, vibrando, comemorando e apoiando e isso é muito importante.

[SEGUIDOR] – A maior tristeza da sua passagem pelo São Paulo foi a eliminação para o Fluminense, no Maracanã, pela Libertadores?

Sem dúvidas foi, acertou em cheio. Fiquei três dias sem dormir, não dormia de jeito nenhum porque foram 40 segundos ali em que o jogo já estava acabado e de repente tomamos aquele gol. Foi uma tristeza muito grande.

[SEGUIDOR] – Por que o São Paulo jogou tão mal naquele jogo de ida contra o Inter em 2006?

No caso foi a expulsão do Josué no primeiro tempo que complicou. Com 11 já é complicado, com um a menos então é muito difícil. Do mesmo jeito não levamos o título por sorte do Inter lá no Beira Rio, se o Alex Dias desse a bola voltando de cabeça eu tinha feito o gol que daria o título para nós. Mas tanto o São Paulo quanto o Inter mereceriam pelo grupo unido. É do futebol, então o importante é que chegamos na final e o grupo todo estava de parabéns. Todos ficamos tranquilos pois demos tudo para conquistar aquele título, mas Deus sabe o que faz.

Você foi um dos jogadores que mais sofreram faltas quando jogava pelo São Paulo ao lado de Rogério Ceni e a coincidência é que quase todas resultavam em gol do M1TO. Isso era combinado?

Eu simplesmente sabia que nós tínhamos um especialista, que era o patrão. Igual ele não tem, não existe. Então eu preferia deixar de chutar por chutar para cavar a falta ou pênalti porque eu sabia que podíamos ganhar o jogo de 1 a 0 com o gol dele. Esses gols do Rogério eram muito importantes para nós.

Muitos falam mal do Rogério e você vai completamente na contramão disso. Por que você gosta tanto dele e os outros não?

Ele é um exemplo, um patrão, um líder. Quem fala dele é porque não conhece bem e nem convive com ele no dia a dia. É um cara que quer ver o São Paulo sempre acima, ganhando títulos, jogando bem e conseguindo vitórias. Então ele não gosta de jogador que vem para o São Paulo só para receber o salário em dia. Por isso sou fã dele.

Na sua opinião, qual é a importância do Hernanes no elenco atual?

O Hernanes chegou na hora certa, principalmente na hora que o São Paulo mais estava precisando. Foi a pessoa que salvou o clube com seus gols, se não já estaríamos em último na tabela. Os gols dele foram muito importantes para ajudar o São Paulo. É um jogador diferenciado. Eu tive o prazer de chamar ele para minha despedida, uma pena que ele tenha que ir para a Itália pois a família dele mora lá.

Vemos casos de jogadores que divulgam seu amor pelo Danone e se dão mal. Michel Bastos passou por isso e o Cueva, recentemente, recebeu algumas reclamações. Como você lidava com os dois?

O Danone sempre fez bem para mim. Joguei 3 anos maravilhosos no São Paulo, e tomei Danone pelos 3 anos. E graças a Deus nunca decepcionei a torcida são-paulina por causa disso, e é porque me faz bem. O mais importante é a alegria que eu dei para os torcedores, que foi o mundial e os três brasileiros.

[SEGUIDOR] – Você voltaria para o São Paulo se fossem atrás de você agora para livrar o time do rebaixamento?

Jogaria até de graça para ajudar o São Paulo. Só pelo Danone, claro.

Neste ano, qual foi o jogo mais traumático que você assistiu? E em um geral, o mais emocionante?

Um jogo triste desse ano foi quando não ganhamos do Corinthians, estávamos ganhando merecidamente e aí o juiz ajudou o Corinthians a empatar o jogo. E o mais emocionante, na verdade teve dois… contra o Liverpool e contra o Boca Juniors.

Você imagina o São Paulo indo para a final de um Mundial de Clubes atualmente e ganhando dos times Europeus, ou mais especificamente do Real Madrid, time que tem dominado todas as finais da Liga dos Campeões?

Realmente o Real Madrid, Barcelona e outros clubes de lá estão acima dos clubes brasileiros. Mas na época do Liverpool eles também estavam acima da gente, ninguém acreditou e nós fomos lá e ganhamos deles. É do futebol, não tem como saber.

Deixamos aqui um agradecimento especial ao jogador. Atencioso, carinhoso e são-paulino. Quem dera se todos fossem assim, não é mesmo? Rs.

Matéria por Priscila Senhorães

Priscila Senhorães

Escrever me faz bem, mas escrever sobre o São Paulo me faz feliz. Só mais uma torcedora apaixonada!

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